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    Inscrição do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa na Lista de Património Mundial e posterior classificação a Património da Humanidade
    Em circulação até 30.06.2009


    O ano de 1731 marca o início da construção deste monumento, sistema de captação, transporte e distribuição da água para abastecimento da Cidade.
    Obra hidráulica da responsabilidade técnica de Manuel da Maia e Carlos Mardel, foi paga, em grande parte, pelo «real da água», imposto que incidia sobre alguns géneros de primeira necessidade. A sua dimensão monumental traduz-se nos números seguintes: o aqueduto principal, com 18,5 km de comprimento, atravessa os 940 m do vale da Ribeira de Alcântara, com 35 arcos dos quais um é o maior arco de pedra do mundo. Tem uma rede de captação de 30 km de galerias visitáveis e alimenta uma rede de distribuição de 12 km. Com as nascentes, mães de água, reservatórios e chafarizes, constitui um conjunto de alto valor patrimonial pela qualidade da construção e pela beleza da arquitectura. Esta construção, que poderia não ter passado de uma obra técnica, tornou-se um verdadeiro Templo da Água, pelo cuidado e a sensibilidade com que nela é tratada a água como elemento essencial e central – a água, que constitui um elemento maior da arquitectura do século XVIII.
    Esta obra, classificada Monumento Nacional, conserva a sua integridade, apesar de ter sofrido alguns pequenos atentados. Recentemente, esteve ameaçada de destruição num percurso de 240 metros, para dar passagem a uma auto-estrada. A demolição fora autorizada pelo Instituto responsável pelo Património, face ao consenso oficial de não existência de alternativa.
    Alertada por esta ameaça, a Associação «Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana» estudou uma alternativa e propô-la ao Governo, com o apoio de uma Petição com 10000 assinaturas. Este teve a coragem de solicitar aos respectivos serviços um novo estudo que irá permitir salvar o Aqueduto.
    Este processo levou os intervenientes à tomada de consciência do valor deste monumento, do seu renome internacional e do papel que ele poderá ter a nível mundial, visto que, enquanto Templo da Água, ele chama a atenção sobre este elemento vital, em risco num futuro já próximo.
    Esta obra, de grande significado nos dias da sua construção, quer pela melhoria das condições de vida que trouxe a uma grande cidade, quer pelo esforço social que constituiu, merece ser oferecida à admiração de todos, propondo-o como Património da Humanidade.
    Outras razões concorrem a favor da classificação deste monumento:
    - O traçado da galeria principal segue a linha do aqueduto romano, desaparecido na Idade Média, que utilizava a mesma zona de captação.
    - É o único sistema conhecido de «água livre», que, com esta dimensão, tenha chegado até nós
    - O sistema de captação deste poderoso recurso natural, renovável, acrescido da aducção em «água livre», por gravidade, logo sem dispêndio energético, inscreve-se directamente na linha do desenvolvimento sustentado.
    - As condições da construção, do ponto de vista da salvaguarda da pureza da água, são notáveis, bem como as relacionadas com a estabilidade, que lhe permitiram resistir ao Terramoto de 1755.
    - As técnicas de construção, muito avançadas para o seu tempo, quer do ponto de vista tecnológico quer da organização do trabalho, fazem desta obra um verdadeiro monumento ao trabalho do homem.

    A urbanização selvagem da Serra da Carregueira, onde se encontram a maioria das nascentes, contaminou-as e a pureza da água só poderá ser reconquistada por uma profunda reestruturação urbana da zona, o que é altamente desejável, e possível, visto que a água continua a ser captada e conduzida. Ela é, entretanto, lançada nas ribeiras do percurso, num mundo à beira da ruptura dos recursos hídricos e numa cidade que faz regas e limpezas com água tratada. É urgente acabar com um tal exemplo de desperdício.
    Dado tratar-se de um monumento de grande força estética, os percursos da rede do Aqueduto poderão/deverão constituir um motor de requalificação da paisagem que atravessa. A sua valorização levará necessariamente a repensar uma parte dos tecidos urbanos envolventes e a dignificá-los.
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